Doenças

Nesta pagina pode encontrar informação sobre doenças mais importantes dos nossos amigos de quatro patas.



AS DOENÇAS DOS GATOS

PANLEUCOPENIA FELINA

A Panleucopenia Felina também é conhecida como enterite infecciosa felina. Esta doença viral altamente contagiosa, causada pelo parvovírus felino, tem sintomas que incluem febre alta, perda de apetite, vómitos, depressão, diarreia líquida, desidratação e outras complicações secundárias que quase sempre resultam em agravamento progressivo do estado do animal ou morte.

A contaminação pode acontecer mesmo através de objectos como comedouros, tigelas de água, roupas e brinquedos que tenham entrado em contacto com animais doentes, saliva, mordeduras, até ectoparasitas como pulgas e carraças,fezes e urina contaminada. A doença afecta principalmente gatos bebes mas todas as idades são susceptíveis. Ao homem a doença não e transmissível. Os gatos que têm acesso a rua ou vivem soltos estão mais expostos à contaminação pelo vírus de doença.

O vírus é muito estável no ambiente, pode sobreviver 1 ano em temperatura ambiental em matéria orgânica , resiste ao aquecimento a 56 graus por 30 minutos, sobrevive à álcool 70%, iodetos orgânicos, fenólicos e compostos de amónia quaternária. É inactivado por solução de hipocloreto a 6 % , formaldeído a 4% em 10 minutos.

O Vírus da Panleucopenia felina ataca os intestinos e os leucócitos. A doença progride rapidamente, e se o tratamento adequado não for aplicado atempadamente a taxa de mortalidade aumenta.

A prevenção por aplicação de vacinas é a melhor forma de se evitar a contaminação e propagação de doença.


LEUCEMIA FELINA ( FeLV )

A leucemia viral felina é causada por um retrovírus (FeLV) que provoca alterações no sistema imunitário do animal causando imunossupressão, tumores malignos, leucemia e anemia grave, entre outras complicações secundárias. Os gatos infectados podem não apresentar todos os sintomas, mas só alguns deles, ou mesmo não apresentar nenhum sinal clínico, parecendo completamente saudável. Este vírus tem a capacidade de causar infecção latente, ou seja, pode ficar “escondido” nas células do animal por muito tempo, ou mesmo anos, sem se manifestar, até um dia causa doença imunossupressiva, possibilitando e criando condições favoráveis para instalação de vários tipos de doenças oportunistas secundárias ou o crescimento de tumores malignos e leucemia. Os animais infectados assintomáticos são uma fonte de propagação da doença e excretam sistematicamente o vírus para o meio ambiente.

Os sintomas incluem anemia, depressão, perda de peso e de apetite, diarreia ou prisão de ventre, aumento de volume dos gânglios linfáticos, tumores, abortos, dificuldade respiratória e falta de resistência a outras doenças. Os gatinhos são alvo fácil para o vírus, embora gatos de todas as idades são susceptíveis e podem contrair a doença. Os indivíduos infectados desenvolvem os sintomas entre 1 e 4 anos, dependendo sempre do factor de resistência individual do organismo afectado e do agente causador.

O vírus é transmitido através de lambedura mútua, lutas entre si, por via ferimentos e dentadas, do compartilhamento de bebedouros, comedouros , camas e produtos de uso comum, pela mãe por meio da placenta ou da amamentação. Nos espaços reduzidos ou sobrelotados onde os animais estão em contacto mais próximo, o risco de contaminação aumenta drasticamente.

O vírus no meio ambiente sobrevive apenas alguns dias e é facilmente eliminado com desinfectantes comuns. O vírus da Leucemia Felina não e transmitido ao homem nem as outras espécies.

O tratamento da FeLV é sintomático e visa melhorar a resistência do animal, prevenir e tratar as complicações secundárias, neoplasias tumores e a leucemia. Estatisticamente a FeLV é a doença responsável por maior número de mortos entre população felina. Antes de adoptar um novo amigo aconselha-se sempre efectuar o teste da FeLV no seu consultório veterinário, descartando assim a hipótese de introduzir um novo membro portador de doença.

A única maneira eficaz de luta contra a Leucemia Felina é a vacinação dos gatos saudáveis com uma vacina específica.



IMUNODEFICIÊNCIA FELINA - FIV ( SIDA FELINA )

A Imunodeficiência Felina é uma doença crónica de gatos semelhante à SIDA humana causada pelo vírus da imunodeficiência felina (FIV). Embora pertença à mesma família do vírus causador da SIDA nos humanos, o vírus é altamente específico e não causa doença em humanos. A doença foi descrita em 1986 por Pederson e colaboradores nos EUA na Califórnia em gatos domésticos. O FIV afecta gatos de todas as idades, a variação descrita é de dois meses à dezoito anos, no entanto, há uma maior incidência em animais com idade superior à cinco-seis anos de idade.

Sabe-se que os gatos machos de vida livre constituem o principal grupo de risco, uma vez que a forma de transmissão mais comum é a transmissão do vírus pela saliva através de mordeduras durante as brigas territoriais ou para acasalamento. A transmissão no útero e no período perinatal também pode ocorrer. Os títulos virais no sangue e no leite são particularmente altos durante os estágios agudos da doença. A transmissão sexual é uma incógnita. Embora o vírus tem sido transmitido experimentalmente, a transmissão sexual não é importante. O vírus foi identificado em amostras de sémen de gatos seropositivos e assintomáticos.

O FIV desenvolve-se por fases e durante grande parte do tempo, o gato não manifesta sintomas de qualquer infecção. Numa primeira fase, o gato pode manifestar febre sem razão aparente, mas pode também não evidenciar qualquer sintoma. Numa segunda fase, o número de linfócitos começa a diminuir, mas o gato permanece assintomático. Os gatos aparentam assim estar saudáveis. Nestes estados, podem contudo transmitir a doença a outros felinos. A terceira fase está associada ao aparecimento dos primeiros sintomas, em que o gato pode perder peso e alterar o seu padrão de comportamentos. Geralmente a primeira fase manifesta-se alguns meses após a infecção e dura sensivelmente dois meses. As outras fazes podem durar meses ou anos.

Na quarta fase os sintomas começam então a manifestar-se de forma mais recorrente. Com a destruição das células de defesa, os gatos ficam vulneráveis perante os vírus, incluindo os mais fracos, tais como os responsáveis por uma simples constipação. Os sintomas do FIV começam então a manifestar-se através da ocorrência frequente de infecções, algumas até pouco usuais, que em estado saudável seriam facilmente combatidas pelo gato: gengivites, estomatites, otites, infecções respiratórias, etc.A última fase corresponde ao Síndrome de Imunodeficiência Adquirida. Com o sistema imunitário arrasado, o gato tem já pouco tempo de vida, apenas alguns meses. Mas os avanços médicos vão permitindo cada vez mais a extensão deste prazo. Fulminante parece ser a combinação de FIV e FeLV (leucemia felina).

O diagnostico é feito através da análise do sangue que pode ser feita na sua clínica veterinária, através de detecção dos anticorpos específicos. As vezes podem ocorrer falsos positivos ou falsos negativos, e nestes situações os testes devem ser repetidos em laboratório. Gatos até aos quatro-seis meses podem ter estes anticorpos provenientes do leite materno. Gatos em fase terminal podem originar falsos negativos devido à inexistência de anticorpos.

O tratamento da FIV resume-se basicamente a um tratamento sintomático que não elimina efectivamente o vírus mas sim trata as infecções secundárias oportunistas, estimula e aumenta a resistência do sistema imunitário e baseia-se em medicamentos antivirais, antibióticos, fluidos e um suporte nutricional e vitamínico. Ou seja, um gato infectado por FIV permanece infectado durante toda a vida e constitui uma potencial fonte de contaminação.

O vírus é muito instável fora dos animais e não sobrevive por muitas horas no ambiente. É totalmente inactivado pelos desinfectantes domésticos em 10-15 minutos.



PERITONITE INFECCIOSA FELINA (PIF)

A Peritonite Infecciosa Felina (PIF) é causada por uma das dezenas variantes do coronavírus. Acomete geralmente animais com menos de 1 ano e com mais de 10 anos de idade, pois o desenvolvimento da PIF está intrinsecamente ligado ao estado em que se encontra o sistema imunitário. O stress (adopção, castração, tempo passado em gatis) contribui para aumentar a susceptibilidade dos gatos.

O vírus sobrevive fora do corpo entre duas a seis semanas, no entanto é facilmente destruído com desinfectantes comuns. A PIF é um problema para os gatos que vivem em grupo (centros de reprodução e abrigos), e raramente é detectada nos gatos que vivem dentro e fora de casa.
O nome PIF é um pouco enganador: não se trata de uma inflamação do peritoneu (tecido interior que forra a cavidade abdominal), mas sim de uma vasculite(inflamação dos vasos sanguíneos). Os sintomas que o gato desenvolve dependem dos vasos sanguíneos danificados e também dos órgãos por eles alimentados.

O desenvolvimento da PIF pode ser classificado em duas formas:
Forma efusiva ou húmida, sendo a forma mais grave da doença, em que muitos vasos sanguíneos são gravemente danificados e há acúmulo de líquido no abdómen (ascite) e no tórax que impede os pulmões de se expandir e dificultam a respiração do gato.

Forma não-efusiva ou seca, sendo a forma crónica da doença, em que o gato normalmente tem sintomas vagos, tais como falta de apetite, perda de peso, febre flutuante, pelagem com pouco brilho. Muitos gatos com PIF seca tornam-se ictéricos.

Para além dos sinais de depressão e anorexia do animal, também surgem lesões oculares com inflamação dos vasos da retina, edema da córnea, deslocação da retina e hemorragias. Sinais neurológicos como ataxia, convulsões, alterações comportamentais, também podem surgir.

O diagnóstico da PIF baseia-se nos sintomas apresentados, na história pregressa e na potencial exposição ao coronavírus, tendo como auxilio exames laboratoriais associados ao exame histopatológico obtido por biopsia.

Actualmente não existe cura para a PIF, o tratamento tem por base aliviar os sintomas e manter o sistema imunitário do animal o mais forte possível, recorrendo a antibioterapia, fluidoterapia e um bom suporte nutricional.

A vacinação contra a PIF não faz parte do grupo de vacinas de base, só sendo possível conseguir-se uma redução do risco de contaminação através de uma rigorosa higiene e da manutenção dos gatos em grupos reduzidos, bem adaptados, com caixas de areia suficientes e limpas com frequência, ou acesso ao exterior.



RINOTRAQUEÍTE INFECCIOSA FELINA

A rinotraqueíte infecciosa felina tem como agente viral responsável o herpesvirus felino . é uma doença viral muito frequente em gatinhos não vacinadas, sendo responsável por altas taxas de mortalidade em recém-nascidos. Os felinos afectados apresentam espirros, conjuntivite, febre, falta de apetite, tosse, úlceras na boca, pneumonia e depressão.

O vírus multiplica-se em regiões com temperatura abaixo da temperatura normal de gatos, como nas células epiteliais superficiais dos ossos turbinados nasais e da conjuntiva, no epitélio da córnea, palato mole, amígdalas e epitélio traqueal.

A transmissão ocorre por contacto directo de gatos não vacinados com gatos doentes ou secreções no ambiente e o período de incubação, geralmente é curto. As macro-gotículas eliminadas no espirro são importantes fontes de transmissão e podem ocorrer num raio de 1,5 m ao redor do animal doente. O período de incubação da doença é normalmente de dois a seis dias. Na maioria dos casos os sintomas variam entre cinco a sete dias.

O Herpesvirus não é eliminado do organismo do animal após o contacto. Assim sendo, o gato não vacinado será um portador definitivo do vírus. Isto quer dizer que os gatos que recuperam da infecção tornam-se portadores assintomáticos, ou seja, eles albergam o vírus no organismo de forma latente. Períodos de stress (Ex. hospedagem em hotel, viagens) e queda de resistência imunológica (Ex. cirurgia) são suficientes para que haja replicação do vírus, recidiva dos sintomas clínicos e a sua disseminação. Por tudo isto a primovacinação e os reforços anuais são imprescindíveis.

A par com o tratamento medicamentoso aplicado, é necessário manter uma correcta higiene e desinfecção do ambiente onde vive o animal. A vacinação periódica continua ser a melhor forma de combater a doença e a sua disseminação.



INSUFICIÊNCIA RENAL  (cães e gatos)

A insuficiência renal é uma das patologias mais comuns dos animais de companhia, com prevalência nos animais geriátricos, sendo geralmente uma doença de desenvolvimento insidioso que começa a causar sintomas nos cães e gatos apenas quando mais de 75 % da função renal foi perdida.

A insuficiência Renal pode surgir também por outras razões, nomeadamente, por ingestão de produtos nefrotóxicos, como herbicidas, insecticidas, líquidos de limpeza e tudo tipo de produtos químicos. O uso indevido de vários medicamentos também pode desencadear a doença. Algumas plantas são igualmente nefrotóxicas por conterem substâncias químicas perigosas naturalmente presentes nelas.

Hoje em dia há cada vez mais relatos que existe uma correlação entre a qualidade da comida que o animal ingere e a Insuficiência renal crónica. A comida de baixa qualidade com alto teor de conservantes, corantes, saborizantes, estabilizadores e outras substâncias químicas, poderá estar na origem ou na agudização desta patologia.

Os rins são essencialmente os órgãos de filtração do organismo, removem os produtos tóxicos gerados pelo metabolismo e eliminam-nos na urina. Para além da função de filtração os rins também regulam a composição dos electrólitos (potássio, magnésio, cálcio, sódio e fósforo) no sangue, estimulam a produção de glóbulos vermelhos pela medula óssea e regulam a pressão sanguínea. Assim sendo, a insuficiência renal acaba por afectar todos os outros órgãos do corpo.

Animais que sofrem de insuficiência renal estão frequentemente magros, bebem água excessivamente, urinam mais do que o normal, estão desidratados, anémicos e com vómitos. Apesar destes sintomas apenas surgirem quando a função renal já sofreu uma perda de 75% outras alterações ocorrem que permitem um diagnóstico precoce desta patologia. Uma destas alterações é o desenvolvimento de proteinúria, ou seja, a presença de proteína na urina.

O rim funciona como uma rede que filtra o sangue; quando o rim está saudável essa rede está intacta e não deixa passar proteínas do sangue para a urina, no entanto, nos animais com insuficiência renal essa rede já não se encontra íntegra e há a passagem de proteínas para a urina. Esta passagem de proteína para a urina perpetua a perda de função renal pois contribui para a lesão renal.

Outro indicador precoce de insuficiência renal é a redução da densidade urinária, que é um indicador da capacidade de concentração dos rins. Os rins têm como objectivo promover a eliminação de produtos tóxicos do sangue sem haver uma perda excessiva de água, pelo que têm de concentrar os produtos resultantes do metabolismo na urina. Quando há perda de função renal os animais já não conseguem ter uma urina com uma concentração normal.
Ambas estas análises são realizadas com uma pequena quantidade de urina. 

Para confirmar insuficiência renal e a gravidade da mesma também é feita análise bioquímica sanguínea através da avaliação dos indicadores de função renal. Por vezes, também se recomendam testes como ecografia renal ou biopsia renal para avaliar exaustivamente os rins e tentar classificar melhor a doença.

Após um diagnóstico de insuficiência renal é necessário determinar qual o tratamento a aplicar. Este vai depender dos sintomas que o animal apresenta e das alterações analíticas encontradas. A insuficiência renal crónica não é uma doença curável já que a perda de função renal é irreversível, no entanto, podemos atrasar a sua progressão e aumentar a qualidade de vida dos nossos pacientes. Felizmente, nos últimos anos, devido ao desenvolvimento de novos medicamentos e produtos para tratamento e controlo de Insuficiência renal, muitos destes pacientes conseguem ter uma vida praticamente normal. Na esmagadora maioria dos casos os insuficientes renais crónicos tem de continuar o tratamento para o resto da vida. 

O tratamento desta patologia pode englobar ração terapêutica com um reduzido teor de proteína, para limitar a lesão renal; fluido-terapia para corrigir os desequilíbrios ao nível da hidratação e dos electrólitos; inibidores da enzima de conversão da angiotensina para reduzir a excreção de proteína na urina e para limitar o aumento da pressão arterial sanguínea e medicação para controlar os sintomas que os animais possam exibir.
Através de um diagnóstico precoce e do cumprimento de um adequado plano terapêutico os nossos companheiros caninos e felinos podem viver durante mais tempo ao nosso lado e com melhor qualidade de vida. Deste modo recomendamos sempre fazer o rastreio anual da insuficiência renal aos animais com mais de 7 anos de idade, o que vai ajudar diagnosticar e tratar atempadamente os nossos amigos de quatro patas.



AS DOENÇAS DOS CÃES

PARVOVIROSE

O Parvovírus foi descoberto em 1978 após um surto de gastroenterite aguda nos Estados Unidos ter chamado a atenção da comunidade veterinária. Este vírus replica-se no núcleo de células de multiplicação rápida e é uma ameaça grave e mortal para um cachorro ou um cão que não tenha sido vacinado.

As fezes contaminadas são a fonte primária de infecção da parvovirose canina. Após a exposição oral, o vírus infecta os linfonodos regionais da faringe e amígdalas. A partir dáí o vírus atinge a corrente circulatória (fase de virémia) e invade vários tecidos, incluindo o baço, os linfonodos, a medula óssea, os pulmões, o miocárdio e finalmente o jejuno distal e o íleo, onde ele continua a se replicar. A replicação causa a necrose do epitélio do intestino delgado. O vírus também pode causar lesões em outros órgãos que invade, contribuindo para múltiplos sintomas como linfopenia, miocardite e sinais respiratórios.

A doença causada por um parvovírus manifesta-se de duas formas, que são a forma entérica e a forma miocárdica. A forma entérica é mais frequentemente reconhecida, por mostrar sinais evidentes, normalmente apresenta-se como um episódio gastroentérico severo, altamente contagioso e hemorrágico em cachorros (com mais de 3 semanas de idade). A forma miocárdica é geralmente diagnosticada no post-mortem, pois a maioria dos animais morre subitamente sem mostrar sinais clínicos.

Os sinais físicos da parvovirose canina geralmente aparecem cinco a sete dias após a infecção do vírus, o animal apresenta vómitos, diarreia grave (normalmente com sangue), perda de apetite, depressão, temperatura corporal alta entre os 40ºC a 41ºC (podendo em alguns casos apresentar temperatura corporal muito baixa). A maioria das mortes por parvovírus canino ocorre entre as 48 a 72 horas depois do aparecimento dos sinais clínicos.

O vírus é extremamente resistente, pode sobreviver ao calor abrasador e a temperaturas muito baixas, por vários meses dependendo do tipo de ambiente onde vive o cachorro (até seis meses em muitos casos), por isso é aconselhada uma boa desinfecção durante algum tempo.

O tratamento para a doença do parvovírus canino deve começar imediatamente. Consiste, basicamente em combater a desidratação, substituindo os fluidos e electrólitos perdidos, controlar o vómito e a diarreia e prevenir infecções secundárias. A vacinação precoce é a forma mais eficaz para prevenir a contaminação e propagação do vírus.



ESGANA

A Esgana é uma doença infecciosa e altamente contagiosa causada por um vírus chamado Morbilivírus, que afecta exclusivamente o cão.  Afecta o sistema respiratório, sistema digestivo e neurológico. Pode atingir animais de qualquer idade contudo, afecta sobretudo cachorros não vacinados entre os 3 e os 6 meses de idade, sendo grande parte das vezes fatal.

A doença é transmitida através de secreções, principalmente das vias respiratórias. O vírus é captado pelas células do sistema imunitário do cão e é rapidamente transportado por todo o organismo através do sistema linfático. Após uma semana o vírus atinge os epitélios respiratório e digestivo e o sistema nervoso central surgindo os sintomas mais específicos.

Os cachorros afectados têm uma alta taxa de mortalidade e mesmo os animais que recuperam desta doença muitas vezes ficam com sequelas, sendo as mais vulgares tiques musculares.

A febre é o primeiro sinal da doença - aparece normalmente 3 a 6 dias após a contaminação. Após a febre, os sintomas podem variar bastante, dependendo da estirpe viral e do sistema imunitário do cachorro. Assim podemos ter: corrimento ocular e nasal, diarreia e vómitos, anorexia e prostração, pneumonia e sinais neurológicos nos casos de esgana nervosa – paralisia, “tiques” nervosos e convulsões nos casos mais graves.

O diagnóstico de esgana é baseado no historial clínico do animal (normalmente são cachorros não vacinados que já vão à rua), nos sintomas e em análises sanguíneas.

O tratamento consiste em manter o animal hidratado devido às perdas no vómito e diarreia, forçar a alimentação, fornecer anti-vomitivos e antibióticos e controlar as convulsões.

A vacinação é o principal método para a prevenção, os cachorros devem ser vacinados entre as 4 e as 6 semanas, seguindo um protocolo vacinal adequado. É importante que os cachorros não tenham contacto com outros cães nem andem pela rua, até serem realizados os respectivos reforços.



LEISHMANIOSE

A Leishmaniose canina é uma doença parasitária (provocada por protozoários) transmitida pela picada de mosquitos (flebotomos).
Sendo favoravelmente sensíveis ao calor, a existência destes vectores transmissores é influenciada positivamente pelo aumento da temperatura. De projecções feitas em Portugal conclui-se que, a manter-se a tendência do aquecimento global, os períodos favoráveis à transmissão da Leishmaniose terão tendência a aumentar, o que pode conduzir ao aumento da Leishmaniose em Portugal.

Em Portugal surge esporadicamente em todo o país sendo mais frequente nas regiões do Vale do Tejo e Sado, Alto Douro e Algarve. Surge em cães com mais de 1 ano de idade e mais frequentemente em animais de pêlo curto e/ou que vivem no exterior.

Pode ser transmitido ao Homem quando picado pelo flebótomo, só afectando habitualmente pessoas com o sistema imunitário insuficiente, como indivíduos seropositivos e crianças muito pequenas. A transmissão ao Homem nos países desenvolvidos é muito rara.

Quando o flebótomo pica o cão, as leishmanias são inoculadas, com a saliva do insecto, na camada interna da pele – a derme. As leishmanias passam para esta camada graças a umas células especiais do sistema imunitário do cão – os macrófagos, que, ao invés de destruírem os parasitas, funcionam como locais de multiplicação. Os macrófagos acabam por ser destruidos e libertam um número elevado de leishmanias que vão infectar outras células. Posteriormente ocorre a disseminação das leishmanias pelo organismo do cão.

A leishmaniose canina é geralmente uma doença crónica, cujos sinais clínicos podem desenvolver-se entre 3 meses a 7 anos após a infecção. Nos cães, as lesões nos rins levam ao desenvolvimento de insuficiência renal crónica. Alguns cães desenvolvem ulcerações (feridas) no nariz e pavilhões auriculares, bem como lesões oculares. O crescimento exagerado das unhas e o corrimento nasal sanguinolento são também sinais muito frequentes. A perda de peso e a atrofia muscular são dos sinais mais frequentes quando existe um comprometimento visceral. Alguns animais podem perder peso, mesmo que tenham o aumento do apetite.

O tratamento de um cão com Leishmaniose consiste em estabilizar o estado geral do animal, e o controlo do parasita no seu organismo.A Prevenção é a medida mais importante para a saúde do animal uma vez que os tratamentos existentes não permitem eliminar definitivamente a infecção.

Como profilaxia primordial, é essencial o uso de produtos que diminuem as picadas dos flebótomos nos cães, como coleiras e pipetas especiais. Mas é de salientar que: devem ser evitados os passeios nas horas de maior risco (ao amanhecer e entardecer), deve assegurar um bom estado de saúde do seu animal, para proteger o seu sistema imunitário e efectuar rastreios anuais da Leishmaniose Canina.

Actualmente, já está disponível uma vacina eficaz contra a Leishmaniose Canina, fazendo parte do plano vacinação anual do animal.



FEBRE DA CARRAÇA

As carraças podem indirectamente ser veículos de transmissão de vírus, riquetsias, bactérias e protozoários responsáveis por algumas patologias graves, das quais se destacam a Erliquiose e a Babesiose, duas patologias distintas provocadas por uma riquetsia (Ehrlichia spp) e um protozoário (Babesia spp) respectivamente; vulgarmente designadas “febre da carraça”. Estas doenças surgem principalmente nos meses em que existem mais carraças (durante a primavera e verão). No entanto, na zona sul de Portugal e em zonas com clima mais ameno, também podem surgir no outono e inverno.

As picadas das carraças podem resultar em feridas susceptíveis a infecções secundárias bacterianas e não só. Reacções alérgicas e alterações dermatológicas graves são muito frequentes em clínicas veterinárias nesta altura do ano.
É importante saber que não são os cães e os gatos que nos transmitem as carraças nem, muito menos, a febre da carraça. A febre da carraça só é transmitida pela própria carraça. Ou seja, um cão infectado não vai transmitir a doença ao dono.

Os animais com “febre da carraça”, entre outros, podem apresentar seguintes sintomas: febre, anemia, prostração, falta de apetite, etc. As Babesias invadem os glóbulos vermelhos levando à sua destruição directa provocando desta forma anemia. Por outro lado as Erlichias são bactérias que parasitam os glóbulos brancos. Numa fase seguinte a estimulação do sistema imunitário leva à destruição dos glóbulos vermelhos e plaquetas provocando respectivamente anemia e trombocitopénia, para além de outros problemas conhecidos como artrite, insuficiência renal e hepática, alterações oftalmológicas, etc.

O diagnóstico pode ser feito na clínica veterinária mediante visualização directa do agente causador em esfregaço sanguíneo (especialmente no caso da Babesiose). Mas outros testes, como serologia e PCR podem ser necessários em alguns casos.

O tratamento envolve administração de antiparasitários injectáveis e/ou antibióticos específicos. Cães muito debilitados podem necessitar de hospitalização por vários dias, fluidoterapia e transfusões sanguíneas.

O prognóstico é variável. Os animas diagnosticados precocemente possuem melhor prognósticos do que os animais com vários dias de evolução ou com doença sistémica concomitante como insuficiência renal ou pancreatite. Infelizmente alguns casos podem mesmo levar à morte do animal.

A maneira mais eficaz de prevenir estas doenças é através da vacinação e uso de parasiticidas externos adequados.
É fundamental aplicar um bom produto antiparasitário com regularidade correcta para evitar a infestação por carraças.
Existem muitos produtos no mercado para esse efeito com eficácia variada, sendo que na escolha deve ter em conta as particularidades do seu animal e as condições do ambiente onde ele está inserido.





TOSSE DO CANIL  ( TRAQUEOBRONQUITE INFECCIOSA )

A tosse do Canil é uma traqueobronquite infecciosa, ou seja, uma inflamação da traqueia e dos brônquios causada por variados agentes infecciosos, nomeadamente diversos vírus como o vírus da parainfluenza, o reovirus e o adenovírus tipo 2 e a bactéria Bordetella bronchiseptica.

A tosse do canil é uma doença altamente contagiosa (por via aérea) entre os cães e que como o nome indica ocorre muitas vezes em ambientes fechados onde haja uma grande concentração de canídeos, daí a origem do seu nome (Tosse do Canil). A doença encontra-se espalhada em quase todo o mundo e afecta muitos cães ao longo da sua vida.

Os animais apresentam os primeiros sintomas normalmente entre 3 a 10 dias após a infecção podendo persistir com os sintomas 3 a 4 semanas. Dos sintomas destacam-se as crises de tosse deixando os proprietários com a impressão de que estão com algo a bloquear a garganta. Esta tosse seca, geralmente é seguida de um vómito incompleto. Uma descarga nasal aquosa também pode aparecer. Nos casos menos graves os cães continuam a comer e mantêm-se alertas e activos.

Factores ambientais como, produtos de limpeza a base de formol, poeira, alterações bruscas de temperatura também podem predispor os animais a crises de tosse favorecendo a penetração de microorganismos patogénicos.

O diagnóstico usualmente baseia-se nos sintomas e na história de terem estado recentemente exposto a outros cães. É indispensável o acompanhamento pelo Médico Veterinário uma vez que o seu animal encontra-se em risco de contrair uma broncopneumonia bacteriana. Como tratamento é utilizada antibioterapia a fim de prevenir infecções secundárias, controlando, também a tosse se esta for muito intensa.

Para uma boa prevenção é importante o cumprimento do protocolo vacinal, bem como a não-exposição do seu cão a outro principalmente se ainda for cachorro.

É importante que sempre que deixar o seu cão num hotel ou canil, lhe seja exigida a vacinação contra a tosse do canil, pois significa que todos os animais que lá estão se encontram protegidos e o risco de infecção é muito reduzido.



LEPTOSPIROSE

A leptospirose é uma doença infecciosa, causada pelas bactérias do gênero Leptospira ssp bactéria aeróbia ou microaerófila, Gram-negativa, pertencente a ordem das espiroquetas. Trata-se de uma zoonose (doença que afecta o Homem) muito frequente sendo observada principalmente nos meses mais chuvosos, em áreas alagadas e/ou deficientes em saneamento.

A leptospira não se multiplica fora do hospedeiro, e sua sobrevivência fora dele depende das condições do meio ambiente, sendo altamente sensível a ambientes secos a pHs e temperaturas extremas. O patógeno pode sobreviver no meio ambiente por até 180 dias quando em solo húmido ou em águas paradas.

É transmitida através da urina, água e alimentos contaminados pelo microorganismo, pela penetração da pele lesada, e pela ingestão. O cão e outros animais como por exemplo rato, bovino e animais silvestres também podem contrair a doença e transmiti-la.

Os primeiros sinais clínicos observados nos animais doentes manifestam-se geralmente entre os 8 a 14 dias após o contágio, sendo eles: anorexia, apatia, vómito e febre evoluindo para anemia, icterícia, poliúria, polidipsia, diarreia, a urina pode apresentar-se com sangue e aparecem erosões (úlceras) na boca ou língua.

O animal pode apresentar febre sem motivo aparente e conjuntivite moderada a severa. No entanto, distúrbios renais e hepáticos crónicos podem surgir em consequência da leptospirose. Animais jovens que não foram vacinados, ou cujas mães não foram vacinadas, possuem um risco maior de desenvolver a doença peraguda, podendo levar o animal a morte devido a septicemia ou ainda intensa hemólise.

As leptospiras patogénicas são encontradas habitando o tecido renal de mamíferos e outros animais (hospedeiros naturais), nos quais não causa aparentemente nenhum dano. Entretanto, essas leptospiras, de acordo com a virulência e patogenicidade, podem causar infecção e doença em outros mamíferos, incluindo o cão e o homem, que se constituem nos hospedeiros acidentais.

Para evitar a leptospirose a profilaxia indicada a vacinação anual do seu animal de estimação, a drenagem de águas paradas, limpeza de terrenos baldios, eliminação de restos de comidas que possam atrair ratos e fechar hemerticamente as latas de lixo caseiro, o controlo de roedores e animais silvestres, isolamento do animal portador durante o tratamento, todo material que entrou em contacto com um animal doente deve ser desinfectado ou incinerado.



RAIVA

A Raiva Canina é uma das principais e mais conhecidas zoonoses (doenças e infecções que se transmitem entre os animais vertebrados e o Homem). A Raiva é uma doença infecto-contagiosa aguda, causada por um RNA-vírus da família Rhabdoviridae do Gênero Lyssavirus, que atinge de maneira letal o sistema nervoso do indivíduo infectado, e acomete todas as espécies de mamíferos, inclusive o homem.

O vírus penetra com a saliva nos tecidos lesionados por mordeduras ou lambeduras de animais infectados. Após infecção com o vírus , este multiplica-se nos linfonodos espinhais, posteriormente emigram para o encéfalo e depois de uma segunda fase de multiplicação, é produzida a difusão do vírus por meio de vias nervosas chegando aos órgãos.

O cão, depois de ser mordido por um animal raivoso, desenvolve a doença num período de 21 dias a 2 meses, em média. Existem 2 formas de raiva canina: a furiosa e a paralítica, dependendo da predominância de uns ou de outros sintomas. A forma furiosa caracteriza-se por inquietação, tendência ao ataque, anorexia pela dificuldade de deglutição e latido bitonal, posteriormente paralisia, coma e morte.

Na forma paralítica, ao contrário da furiosa, não há inquietação ou tendência ao ataque, o cão tende a se isolar e se esconder em locais escuros. Apresenta paralisia de patas traseiras, que progride e o leva à morte. A duração da doença é de 3 a 7 dias. O perigo de transmissão do vírus ocorre antes do aparecimento dos sintomas e durante o período da doença. No cão e gato este período inicia-se de 5 a 3 dias antes do aparecimento dos sintomas. O período de incubação do vírus após a infecção pode entre variar entre os 20 a 60 dias.

O diagnóstico da raiva é feito através do quadro clínico sugestivo e da história clínica do paciente com antecedente de mordedura ou outros tipos de exposição, complementado por meio de técnicas histológicas do SNC, provas sorológicas e a identificação do vírus.

A ameaça de raiva praticamente não existe para as pessoas que vacinam seus animais domésticos, como cachorros e gatos, e evitam lidar com animais que não conhecem. A primeira vacinação anti-rábica deverá ser feita entre os 3 a 4 meses de idade, passando a ser reforçada anualmente. É de evitar o contacto entre animais selvagens, tais como: raposas, lobos, morcegos.

Uma vez instalada a doença o prognóstico é desfavorável e o clínico deve considerar como 100% letal. O tratamento da Raiva clinicamente é inútil. Devido ao perigo de infecção para outros animais e para o homem os animais doentes de raiva costumam ser eutanasiados.



Fotos do dia